sexta-feira, maio 30, 2008

WALY SALOMÃO

meu grande amigo
desconfiado e estridente
eu sempre tive comigo
que eras na verdade
delicado e inocente
findaste o teu desenho
e a tua marca sobre a terra resplandecer
esplandece nítida e real
entre livros e os tambores do vigário geral
e o brilho não é pequeno
eu sigo aqui e sempre em frente
deixando minha errática marca de serpente
sem asas e sem veneno
sem plumas e sem raiva
suficiente
(CAETANO VELOSO - Cê, 2006)
...
Sexta feira, 30 de maio, durante todo o dia
Durante toda a semana.
Por um bom tempo para dizer a verdade.
Angústia que me cala, mas nem todo o tempo entristece.
Crise. Profissional, orientacional, ...all
Feliz por estar livre. Não tenho medo do que vou decidir.
Pensava em uma marca nítida, mas será que suficente já não baste.
Nítida para quem?
já derrotada?
Vou seguindo o fluxo.
Mais fácil ir contra a corrente sabendo onde ir do que seguir a corrente sem saber pra onde ela leva.
Pela primeira vez me deixo levar.
Medo. Já não gostei de algumas coisas.
Esperar a nuvem passar. Sei que vai.
Espero não me arrepender.
...
Waly Salomão (1943 - 2003)= Poeta brasileiro. Tropicália
Ao contar passagens de sua amizade com Salomão, Caetano Veloso fez o público rir. "Ele me falava: 'dizem que Deus não dá asas às cobras, mas para esta [Caetano], ele deu", contou o cantor, que disse considerar a frase que o poeta repetia como um elogio.

quinta-feira, maio 22, 2008

GOOD FORTUNE

Threw my bad fortune
Of the top of
A tall building
I'd rather have done it with you
Your boy's smile
Five in the morning
Looked into your eyes
And I was really in love
In Chinatown
Hung over
You showed me
Just what I could do
Talking about
Time travel
And the meaning
Just what it was worth
And I feel like
Some bird of paradise
My bad fortune slipping away
And I feel the
Innocence of a child
Everybody's got something good to say
Things I once thought
Unbelievable
In my life
Have all taken place
When we walked through
Little Italy
I saw my reflection
Come right of your face
I paint pictures
To remember
You're too beautiful
To put into words
Like a gypsy
You dance in circles
All around me
And all over the world
And I feel like
Some bird of paradise
My bad fortune slipping away
And I feel the
Innocence of a child
Everybody's got something good to say
So I take my
Good fortune
And I fantasize
Of our leaving
Like some modern-day
Gypsy landslide
Like some modern day
Bonnie and Clyde
On the run again
On the run again
(PJ HARVEY - stories from the city,
stories from the sea, Outubro de 200.)
...
22 de Maio de 2008, por volta de 3:00hrs.
Joguei a má sorte pela janela.
Me joguei pela outra.
Adorei, posso usar o adjetivo peculiar. Goste dele, não quer dizer muita coisa mas é cheio de signifcado (?). Poderia tentar também o memorável!
Viver o esperado e de tão natural não me lembrar de ter esperado. Pareceu tão adequado.
Boas coisas para falar, adoro escutar, ainda mais fazer... Some bird of paradise.
Com certeza o significado é maior que o ato. A lembrança melhor que o fato. A história melhor que a verdadeira. Things I once thought...
To remember...como não nao sou artista, só escrevo, direto para o "raro".
Fica agora na lembrança. Para fantasias. E vai acontecer. Todas as fantasias.
Obrigada pelo convite.
On the run again.
...
"I wann make people feel something"
PJ Harvey = Polly Jean Harvey

domingo, maio 18, 2008

Não Vou Me Adaptar

Eu não caibo mais
Nas roupas que eu cabia
Eu não encho mais
A casa de alegria
Os anos se passaram
Enquanto eu dormia
E quem eu queria bem
Me esquecia...
Será que eu falei
O que ninguém dizia?
Será que eu escutei
O que ninguém ouvia?
Eu não vou me adaptar
Me adaptar...
Eu não tenho mais
A cara que eu tinha
No espelho essa cara
Não é minha
Mas é que quando
Eu me toqueiAchei tão estranho
A minha barba estava
Desse tamanho...
Será que eu falei
O que ninguém ouvia?
Será que eu escutei
O que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar
Me adaptar...
Não vou!
Me adaptar! Me adaptar!
Não vou! Me adaptar!
Não vou! Me adaptar!...

(TITÃS - Televisão, 1985
Composição: Arnaldo Antunes)

...

Tentar voltar com esse costume que costumava me fazer bem.
Dessa vez uma estrutura mais...(algum adjetivo)...
Mais coerente com minha incapacidade poética.
Mais simples, afinal é uma atividade espontânea, quase uma mania, um vício de buscar meus sentimentos.

Enfim...

Parece revoltada, mas dessa vez nem tanto.

Essa para começar por não querer esquecer uma experiência recente (terça-feira, 13 de Maio de 2008, por volta das 16:00).

Arnaldo diz, as coisas mudaram, mas parece que não deu pra perceber, tudo rápido, ou enquanto dormia...interessante, geralmente é assim não é?
Mas eu penso: dessa vez foi diferente, encontrei com a pessoa, falei, chorei, e pronto, parece que consegui me sentir esticando uns 10 centímetros!

A parte da revoltada da música ficou pro passado, naquele momento tudo o que eu queria era “não me adaptar”, “dizer o que ninguém dizia” e mais ainda, dizer para alguém ouvir e ouvir de alguém o que ninguém dizia...lá sim, “minha barba estava desse tamanho” \o/...e foi pra uma pessoa que eu tentei gritar que “EU NÃO VOU ME ADAPTAR”, felizmente (agora digo) ela também gritou...

É eu sei, essa música não fala do que falei, mas vou fazer o que se foi isso que, dessa vez, ela me fez sentir!

...

E é assim que vai ser, música, o que senti....assim que vou guardar meu sentimentos no meu “raro”.
Ah sim, tudo baseado em auto-terapia fraudulenta, ok assim?!